DJ Angel, revelação do BBB9, repassa sua trajetória
05.03.09 | 03:55 pm
Conhecida nacionalmente pela sua apresentação na pista do Big Brother Brasil 9, DJ Angel combina sua técnica nas pick-ups e versatilidade na escolha do repertório com beleza e inteligência
Por Flavinha Campos
Pioneira da cena eletrônica do sul do Brasil, DJ Angel tem formação e experiência profissional que transcende a simples discotecagem. A curitibana investiu e se dedicou desde cedo às pick-ups e hoje tem em seu currículo apresentações nos melhores clubs e festas do país.
Todo esse trabalho e esforço rendeu premiações e títulos, como a seleção para o Red Bull Music Academy – aclamado encontro da cena eletrônica mundial – onde assumiu o cargo de “Miss X”, a embaixadora do RBMA no Brasil. Ainda hoje, Angel promove encontros, ministrando palestras e workshops por todo o país.
Além da discotecar, Angel também defende a bandeira da música eletrônica em outras frentes. Na área acadêmica, já conta com diversas publicações de artigos científicos e participa constantemente de eventos e congressos, apresentando sua pesquisa sobre a reconfiguração da música na cibercultura, com o apoio da bolsa de pesquisa do CNPq.
Ela é técnica em Informática e Programação, graduada em Arquitetura e Urbanismo, pós-graduada em Marketing e Comunicação e, hoje, cursa o mestrado em Comunicação e Tecnologia. Entre os projetos atuais, Angel desenvolve um documentário sobre a produção de música eletrônica que será lançado no início do próximo ano juntamente com a conclusão de seu mestrado, além de se preparar para partir em duas turnês internacionais: Europa e Américas.
Conta um pouco mais do início de sua carreira. Quando você teve o primeiro contato com a música eletrônica? Como e quando você começou a discotecar?
Eu comecei a ouvir música eletrônica no fim dos anos 90, freqüentando os clubs aqui do sul, e logo comecei a trabalhar nas baladas. Mas só comecei a discotecar profissionalmente em 2001. Depois disso foi dedicação total.
Você também é graduada em diversos outros cursos e capacitada em diferentes áreas profissionais. Você tem outro trabalho além de DJ?
Desde que comecei a tocar profissionalmente em 2001, me dediquei totalmente a isso. Tranquei até a faculdade nessa época, porque no começo era mesmo difícil de conciliar. Mas nunca deixei de estudar, logo voltei e terminei a faculdade, me formei em arquitetura. Depois fiz pós-graduação em Marketing, e comecei a trabalhar prestando consultoria nessa área, mas sempre ligada a música ou eventos. Hoje eu estou terminado meu mestrado em Comunicação e Tecnologia, com pesquisa na área de Música e Cibercultura. Tenho bolsa de pesquisa do CNPq, e paralelamente abri uma empresa, que presta consultoria na área de redes sociais e mídia social e faz gestão de Comunicação Online. Durante a semana, divido meu tempo entre as pesquisas do mestrado e a consultoria, e nos finais de semana estou sempre tocando.
Como você consegue balancear os dois?
Eu procuro fazer tudo o que tem que ser feito para todas as partes da minha vida andarem no ritmo certo. Não dá pra desligar de nenhum deles, e tenho sempre que estar atenta para conciliar tudo. O meu segredo pra não sobrecarregar é que eu mantenho durante toda a semana os horários de sono do fim de semana, ou seja, eu durmo muito tarde, e acordo tarde também. Eu não trabalho de manhã, só começo de tarde e costumo ir noite adentro. Assim, quando chega a hora de tocar no fim de semana eu estou bem, mesmo que seja tarde, e não sofro para adequar os horários ao ritmo das outras pessoas. Conquistei a vantagem de poder comandar a minha agenda.
Conte mais sobre o documentário que você está produzindo. Como vai ser e quando vai ser lançado?
O documentário é sobre a Música na Cibercultura, sobre como todo o segmento foi modificado pela tecnologia. Ele faz parte da minha pesquisa do mestrado, e é composto por entrevistas com artistas e produtores do meio, que de alguma forma tiveram seu trabalho alterado por conta da internet. Ele está sendo feito para a internet, onde vai ser disponibilizado em partes, dentro de um espaço onde todo mundo poderá opinar e trocar ideias a respeito dos temas discutidos. É um trabalho colaborativo, construído por todos. Os primeiros recortes estão previstos para entrar no ar em maio de 2009, provavelmente a partir do meu site.
Além discotecar, você tem algum interesse em produzir música eletrônica?
Produzir exige uma dedicação tão grande quanto é necessário para escrever. Eu hoje estou focada em outra frente: produzir conteúdo científico sobre música, fazer pesquisa e tratar esse assunto dentro do meio acadêmico com o respeito que ele merece. Assim, não sobra tempo pra nenhuma outra coisa. Eu adoraria produzir música, mas não sinto que isso faria grande diferença no meu trabalho como DJ, já que meu foco está na construção do meu set como um todo, e hoje em dia é possível encontrar remix de praticamente tudo o que existe. Me concentro em fazer uma boa pesquisa de produtores, e encontrar aquilo que eu quero. Pouca coisa é novidade, e encontrar o que você procura é bem mais fácil do que antigamente.
Como surgiu o convite para tocar no BBB9?
O convite veio diretamente da produção do programa, e a data estava marcada desde o final do ano passado. Virei o ano guardando segredo, e poucas pessoas ficaram sabendo até o dia da apresentação.
Conte mais como foi essa experiência de tocar para o público mais vigiado do Brasil?
Foi muito intenso! Lá de dentro você sente a força do público, mesmo estando em contato só com as pessoas da pista. A estrutura é imensa, e eles são super organizados. Os brothers estavam super animados e a casa ainda estava cheia, então foi super divertido. Aproveitei cada minuto, e eles também dançaram bastante. É diferente da balada, onde todo mundo curte o mesmo som e o público é mais homogêneo. Fiz um set para agradar tanto quem estava na pista quanto quem estava vendo de casa.
Você já tocou fora do Brasil? Onde? Conte como foi.
Já toquei sim. Os dois últimos anos fiquei mais tempo aqui no sul, por conta do mestrado, mas na virada do ano toquei em Bogotá, na Colômbia. Foi muito divertido, e o público foi bem receptivo. A balada era bem underground, então consegui apresentar várias coisas que são mais difíceis de tocar aqui no Brasil.