Entrevista Dj Angel

ANGEL… DJ DE RESPONSA!

Angel é de Curitiba… A DJ dá aula de profissionalismo, ascensão e maturidade. A moça já participou do Red Bull Music Academy e acaba de voltar pro sul.

Veja o que ela nos disse sobre carreira e um pouco de seu lado pessoal…

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1 :: Você sente algum preconceito na profissão de DJ por ser mulher?

Normalmente as pessoas que não conhecem seu trabalho esperam que não seja bom, ou que seja mais ou menos, por ser uma mulher. Elas têm um nível de exigência bem menor, dando um desconto, tratando como “café com leite”. Num primeiro momento é assim, mas isso acaba servindo como “abre alas”. Entrar é mais fácil, ficar é mais difícil.

2 :: Quais suas influências musicais? Como aconteceu seu encontro com a música eletrônica?

A primeira vez que ouvi musica eletrônica foi numa festa num galpão, em Curitiba. Era basicamente house, mas super underground e experimental. Me apaixonei logo de cara, por ter uma relação direta com o que eu gostava na época, que era o “dance”. No sul, nessa época, o dance era o estilo alternativo, que ia na contramão do reggae e do pop que se ouvia nos bares e casas noturnas.Já trabalhava com festas há algum tempo, era promoter. Tinha uma noite anos 80, num lounge, dos mesmos donos do primeiro club de musica eletrônica de Curitiba, onde eu já havia trabalhado em tudo. Desde promoção, performance, malabaris, dançarina, fotógrafa, no bar, ou seja, tudo. Os donos desse lugar começaram o projeto de uma nova casa, e eu comecei a pensar o que faria por lá. Enquanto eles construíram o club novo eu aprendia a tocar. Um mês antes da inauguração comecei a tocar nesse lounge, pra treinar “ao vivo”. Inaugurei a casa como residente, e logo ganhamos o prêmio de melhor pista da Veja Paraná. Foi um super começo. As influências vêm todas do house e do dance. Às vezes acho que nasci na época errada, porque ADORO os clássicos. Coisas muito muito velhas, que ainda hoje são usadas em samplers, reconheço na hora.

3 :: Você namora? Pretende se casar algum dia?

Ser DJ e namorar é difícil. Existe um certo preconceito nisso. Porque é normal para as namoradas dos DJs ficarem do lado da cabine, sentadas enquanto eles tocam, passando nervoso por causa das meninas mais atiradas. Mas culturalmente a coisa fica complicada quando os papéis estão invertidos. Poucas pessoas desde que comecei a tocar se “sujeitaram” a isso. E nenhum deles agüentou o tranco. É muita estrada, é muita festa, que pra mim não tem o mesmo sentido que pra eles. Pra mim é trabalho. Lógico que me divirto, mas de outro jeito… É mais que diversão, é realização. E fazer isso divertindo os outros é sensacional. Mas os meninos não acham tão legal assim…Se pretendo casar? Pergunta difícil num momento mais difícil ainda… Muitas mudanças, muita correria (como sempre). Pretendo sim um dia casar, talvez não nos moldes tradicionais, tipo cerimônia e compromissos, mas se achar um santo que tope a maratona da minha vida, ele merece né?

4 :: O que você pensa sobre religião? É fiel a alguma doutrina religiosa?

Não. Tenho uma filosofia de vida um pouco diferente das pessoas “normais”. Acredito que todo mundo deve crescer e aprender sobre si mesmo o tempo todo. Se colocar à prova, correr riscos e aprender com isso. Acredito que estamos cercados pela hipocrisia, e faço tudo o que posso pra evitar cair nesse redemoinho.

5 :: Como você analisa o Brasil hoje, de uma forma geral? É bom estar aqui? Na sua opinião, a cena brasileira sustenta uma carreira sólida?

Sustenta sim. Principalmente porque eu sei onde quero chegar, e isso é muito próximo do que acredito que posso. Acho fundamental saber seus limites, e ter objetivos próximos deles. Acho que vale mais (financeiramente, emocionalmente, psicologicamente) trabalhar localmente, crescer, e ter a carreira internacional como conseqüência disso.

6 :: Conte-nos um pouco sobre sua experiência profissional na cena eletrônica…

Foi sempre muito rápido. Comecei profissionalmente já. Saindo do Mediterranea (o primeiro club) direto para o maior de Curitiba, e assim indo… Até o momento que estacionava, e de repente vinha uma bomba. A primeira foi o Red Bull Music Academy, que é o maior reconhecimento que um DJ pode ter no mundo. Ser escolhido entre tantos maravilhosos DJs, significa o reconhecimento do seu diferencial, que foi o que eu sempre batalhei para ter. A experiência de estar lá (o povo chama de “o big brother da música eletrônica”) por duas semanas, intensivamente, o dia todo, cercada por musica eletrônica por todos os lados, foi sensacional. Fiquei duas semanas lá, e depois mais duas sem sair de casa, só processando tudo o que tive contato. Depois disso veio a contratação pela Eletronika DJs, onde fiquei dois anos como artista, antes de entrar como sócia e assumir a direção de marketing e marketing dos artistas. Depois disso, estou aqui… Na gerência da Trade Sound.

7 :: Qual sua formação profissional?

Sou técnica em Informática e Programação. Sou formada em Arquitetura e Urbanismo , Pós-Graduada em Marketing e Comunicação pela FGV, e hoje curso o mestrado em Comunicação, Cibercultura e Meios Digitais. Nunca parei de estudar. Mas já fiz de tudo um pouco. Passei pela faculdade de Design, fiz teatro, desenho, pintura, escultura, etc. Até trabalhos manuais! (risos)

8 :: Você poderia nos revelar o seu maior sonho?

Ummmm… Acho que eles não são grandes… O grande sonho é a realização de todos os pequenos sonhos.

9 :: Você também produz? Quais os projetos paralelos e futuros?

Produzo sim. Pouco, por falta de tempo, mas sim. Com a mudança para o sul, pretendo retomar parcerias que ficaram atropeladas pelos anos de estrada. Muitos amigos optaram por qualidade de vida neste percurso e estão residindo por aqui. Assim, com mais tempo livre podemos reavivar os planos. Hoje opto por trabalhos de qualidade em detrimento ao valor financeiro. Voltei a ter mais contato direto com o publico na areia da praia, no verão, e pretendo continuar nesse caminho levando a residência no Kiwi com seriedade. Ser residente de um club recém inaugurado, com a estrutura e investimento do kiwi é um trabalho super sério, que merece toda a minha atenção. Estava com saudades de ser residente.

10 :: Que outros estilos musicais você aprecia?

Todo estilo musical tem coisas boas e coisas ruins. Pra produzir gosto de ouvir de tudo. MESMO. Sempre tem alguma coisa boa, mesmo em estilos que eu não gosto muito… Acho legal conhecer uma variedade grande de estilos, e se aprofundar em alguns. Hoje estou pesquisando coisas bem diferentes, como rap francês, alguns grupos de pop rock franceses, além de muita coisa de progressive atual. Quando cai na estrada acabei ficando sem muito tempo para pesquisar, e agora retomei. Por influencia do grande amigo, Dj Nuts, voltei a pesquisar musica nacional, e o resultado desse trabalho juntos virou uma noite semanal de Musica Brasileira, todas as quartas feiras.

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